Projetos de lei ameaçam a liberdade de expressão na internet

Sob o pretexto de permitir a alguém o “direito ao desaparecimento”, o Brasil está prestes a aprovar leis que podem colocar em risco a liberdade de expressão na internet.

À primeira vista, a ideia parece ser boa. Retirar informações caluniosas, textos agressivos e criminosos, pode ser benéfico na maior parte dos casos em que a internet é usada para cometer crimes de injúria. Entretanto, na verdade, a afirmação de que as leis oferecerão um “direito” é apenas um eufemismo para permitir censura e esconder parte importante de nossa história, que, infelizmente, está repleta de ações negativas de pessoas públicas e  podem ser ocultadas sob a imprecisa alegação de serem “difamatórias”. Na Europa, a lei foi aplicada de forma mais branda, pois permite apenas que buscadores como Google e Bing não mostrem determinados conteúdos nos resultados da busca. Além disso, pessoas públicas não são atingidas por essa lei.

Já no Brasil, os projetos de lei não se limitam a esconder resultados de buscadores, mas pretendem apagar a informação por completo. Ainda, pessoas públicas, como presidentes, senadores, entre outros, também poderão ter sua história apagada caso elas sejam aprovadas.

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Diferenças entre o projeto brasileiro e o da União Europeia

Infelizmente, parece que essas leis estão em vias de serem aprovadas. Ontem, a Câmara aprovou o projeto de lei 215, responsável por garantir o “direito ao esquecimento” no Brasil. Para que a lei entre em vigor, ela ainda precisa ser aprovada em plenário para ser enviada ao Senado.

Na Wikipédia, editores discutem sobre a necessidade de realizar um protesto para impedir a aprovação dessas leis. Uma das medidas de protesto em discussão é o apagão por completo da Wikipédia em português por um período de 24 horas. Isso poderia informar aos leitores sobre os projetos que estão em tramitação sem que a maioria deles saibam e como isso pode trazer danos à liberdade de expressão na internet no Brasil.

Divulgar essas informações e permitir que a população tome conhecimento daquilo que certamente ela não quer que aconteça é uma forma de parar com essa tentativa de formalização da censura no Brasil.

Compartilhe como puder… enquanto ainda pode.

 

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Realizada editatona em Salvador voltada para as mulheres

Neste sábado, 18 de julho, foi realizada uma maratona de edição (editatona) na capital da Bahia, Salvador. O evento foi organizado por Geisa Santos e Raylton Sousa e teve apoio do Raul Hacker Club.

A editatona foi dedicada a criar e melhorar verbetes sobre mulheres que se destacaram na história. Eventos desse tipo buscam aumentar participação de mulheres editando na Wikipédia, que é menor em comparação com os homens. Esse fato repercute nos temas que são verbeteados na enciclopédia, que tendem a referir mais o universo masculino e menos o feminino.

Na minha visão como participante, o evento foi positivo, especialmente ao ver o interesse das mulheres em aprender sobre a edição na Wikipédia, seu cuidado em buscar referências e levar ao artigo informação após uma busca criteriosa. Além disso, a proposta de realizar eventos similares periodicamente foi muito bem recebida e acredito que haverá continuidade e frutos ainda melhores nos próximos eventos.

Agradeço a todos que participaram!

Confira fotos do evento (por Geisa Santos):

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*Página da editatona na Wikipédia
*Evento no Facebook

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Wikipédia enfrenta a febre dos smartphones – o problema não está no aparelho

Editar a Wikipédia é fácil. Basta apertar o botão “Editar” e já somos direcionados à interface de edição. Este é o seu diferencial.Mobile_phone_evolution

Entretanto, uma edição de qualidade, muitas vezes, requer alguma pesquisa de fontes, revisão de conteúdo, ações de copiar e colar, etc. Isso não é difícil quando usamos um teclado e um mouse, mas isso pode ser mais demorado e limitado quando usamos um celular ou tablet.

A Wikipédia ainda não possui um aplicativo que permita uma edição de forma tão fácil quanto usar um computador de mesa. No momento em que o consumo de celulares e tablets vem aumentado e tomando o espaço dos demais aparelhos, isso passa a se tornar preocupante. As ações de parar diante de um computador, abrir diversas abas em busca de fontes, copiar e arrastar uma frase para melhor posicioná-la dentro do texto tendem a ser cada vez menos executadas e isso compromete diretamente a edição na Wikipédia.

Como citado em artigo no New York Times, a venda de smartphones já supera a de computadores de mesa. Isso é uma consequência e não causa. A grosso modo, as pessoas compram aquilo que lhes atrai. Talvez a maioria simplesmente não queira um computador de mesa por considerar que não precisa dele.

O problema está no aparelho? A resposta seguramente é “não”. Numa época dominada pelo compartilhamento de informações, pela reprodução muitas vezes cega no apertar de um botão, pela falta de criação intelectual e escolha passiva daquilo em que se é representado ao delegar a vozes alheias a própria opinião, a questão parece ser algo comportamental.

Outros falam por mim e a internet guarda as informações. A informação já está no Google, acessível quando eu quiser. Portanto, não preciso guardá-la comigo. Se não guardo, não possuo ferramentas para criação e, consequentemente, não surge em mim o interesse em criar.

A Wikipédia é editada por todos e o modo como isso ocorre é reflexo da sociedade. A enciclopédia pode assumir o papel de tentar se adequar às novas tecnologias e elaborar melhores ferramentas de edição por celular, mas não será capaz de colocar na mente das pessoas o interesse em criar e elaborar material de qualidade. Engana-se quem pensa que é problema exclusivo da Wikipédia.

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Eduardo Cunha atacado na Wikipédia: Efeito Streisand às avessas

Nesta sexta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados brasileira foi atacado na Wikipédia com nomes que não serão reproduzidos aqui.

Eduardo Cunha. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Neste post, não me posiciono nem a favor, nem contra quaisquer ações do deputado. Apenas me refiro às edições na Wikipédia.

As edições acontecerem pela tarde e foram rapidamente desfeitas por voluntários da Wikipédia. O que é curioso é o fato de isso ter virado notícia, como se pode ver aqui por exemplo. O mais curioso ainda é o fato de isso ter permanecido publicado na Wikipédia por menos de cinco minutos e, ainda assim, ter dado tempo de um jornalista tomar conhecimento e considerar isso importante o suficiente para gerar notícia.

O resultado disso nada mais é do que a reprodução, promoção e eternização da ofensa. Um jornalista realmente preocupado com a imagem da pessoa evitaria noticiar tal fato. É como um efeito efeito Streisand às avessas. Não é que a ação do jornalista se preocupa em divulgar o ocorrido a um grupo no sentido de respeitar a imagem de uma pessoa. A notícia age a favor da ofensa e a divulga ainda mais, sem o menor interesse em removê-la, dando margem a que outros interpretem que o fato é um pretexto para a reprodução da ofensa já desejada pelo jornalista.

Aliás, qual foi o fato? A Wikipédia pode ser editada por qualquer pessoa. O fato foi que uma pessoa qualquer xingou o Cunha. E daí?

A Wikipédia se preocupa com a imagem dos seus biografados sejam eles quem forem. Ela fez sua parte em remover rapidamente o conteúdo inapropriado e proteger o artigo contra novas edições. Enquanto isso, outros atuam no sentido oposto, que é o de persistir e ampliar os ataques. Parabéns à Wikipédia.

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Bem-vindos

Bem-vindo a este blog. Aqui vou postar assuntos relacionados à Wikipédia e sobre conhecimento livre.

Também será possível responder a perguntas sobre assuntos relacionados e oferecer ajuda sobre como editar na Wikipédia ou usá-la como ferramenta em sala de aula ou para fins educativos.

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